O tempo não para e a gente também não

E daí os dias passaram, virei a página do calendário, vi mudar a estação, o dia acabar, a noite chegar, trocar a fase da lua. Reparei a troca do cardápio daquele café de rua, a mudança dos garçons daquele restaurante que a gente ia. Vi gente ir, vi gente voltar. Terminei de ler três livros de lá pra cá. Um no qual chorei muito, outro que não via a hora de acabar e o último, que me fez pensar. Vi o sol raiar, a chuva cair, o granizo acabar com o capô do meu carro. Me emocionei ao assistir o pôr do sol na praia, na janela de casa, na estrada, em qualquer lugar. Morri de frio, de calor, de cansaço. Fiquei noites sem dormir e custei para acordar para trabalhar. Fiz novos amigos. Me distanciei de alguns antigos. Me apaixonei mais de uma vez pela pessoa errada e deixei passar mais de uma vez a possível pessoa certa. Comprei compulsivamente. Estourei meu cartão de crédito. Tive medo, mas superei. Caí, mas levantei. Deixei a peteca cair, mas não desequilibrei.

Ri, todos os dias. Alguns dias mais, outro menos. Saí, cantei, dancei e bebi. Comi demais, comi de menos, engordei, emagreci.  Corri, andei, parei. Chorei de tristeza, de alegria, de bobeira. Me perdi, me encontrei. Adoeci, me curei. Lutei. Perdi e ganhei. Mudei alguns hábitos, retomei alguns antigos. Comecei a xingar, quem diria. Mudei o caminho, depois de anos parada no trânsito na mesma avenida. Errei muito. Aprendi a ouvir, a calar, a aceitar. Descobri palavras novas, esqueci algumas fórmulas. Me inscrevi para aprender um novo idioma. Escrevi, mas não mandei. Falei demais e me ferrei. Combinei e não fui. Combinaram comigo e não apareceram. Quebrei a cara. Viajei. Lavei a alma na água salgada. Surpreendi e fui surpreendida. Parti corações, perdi a razão. Ganhei um argumento. Ganhei prêmios. Fui reconhecida. Falei muitas verdades. Menti. Me arrependi.

Os dias passaram e eu mudei muito, mas não mudei nada. Mudei o cabelo, mas continuei com a mesma cara. Mudei de casa, mas a louça continuou na pia e a geladeira vazia. Eu ainda assino tv a cabo, mas não desisto da novela. Baixei músicas novas, mas só escuto as velhas. Ainda dou dinheiro para o pedinte na rua sabendo que ele vai comprar droga, ao invés de comida. Ainda acredito que há bondade no bandido e que a vida não está tão perdida. Amadureci, mas ainda sou uma criança e não canso de entrar na dança. Não adianta. O tempo passou, está passando e ainda vai passar. Vamos crescer, envelhecer e morrer. E eu, em qualquer fase da vida, vou para sempre te amar.

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